quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O ócio tem me feito bem

O ócio tem me feito bem. Já faz uma semana que não tenho de ouvir alguém falar da UFF, da Unirio ou de qualquer outra universidade que eu preferia ver morta. Personificamente morta. É em horas como essa que gosto de ter optado por ser vagabundo em vez de médico, engenheiro ou oceanógrafo.

Durante as próximas semanas, coçarei o saco até sangrar, até fazer feridas, e, por isso, preciso de algo para me distrair. Começo desde já a traçar metas a serem cumpridas nos próximos dias. A primeira delas será fazer posts realmente úteis aqui. As metas seguintes... Essas cabem a vocês sugerirem.

Obrigado desde já.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Entrando para a história do melhor jeito possível.

Existem muitas formas de se entrar para a História, mas poucas são agradáveis. Elas geralmente envolvem suicídios, chacinas, manipulações e alinhamentos com políticas neoliberais.

Vejam o caso do pequeno Vlad Tepes. Tepeszinho poderia ter passado a sua infância jogando pebolim e bafo com seus amiguinhos. Sim, certamente. Mas não. Ele acabou empalando turcos.

Vlad Tepes e turco
Vlad e um turco, segundos antes do empalamento.

Foi por ter escolhido este caminho que pôde entrar para a História. De fato, como esquecer o pobre Varguinhas? Varguinhas deu a vida para ter seu nome nos livretos infantis. Óbvio. Ninguém gosta de ler sobre pessoas que estão vivas ainda, ou que morreram tranqüilamente.
Por exemplo, eu nunca ouvi falar de João Cabral de Melo Neto na escola antes de 1999, quando ele morreu. Está certo que naquele ano eu me encontrava ainda na 3ª série, mas nada justifica a omissão deste que é um dos maiores poetas da língua portuguesa.

João Cabral de Melo Neto e a língua
João Cabral e o português, segundos antes daquele usar sua (a do europeu) língua.

Ljubisav Đokić é, portanto, um sujeito de sorte. Este santo homem entrou para a História da maneira mais sagaz possível: invadindo a central da televisão sérvia com uma escavadeira.

Ljubisav e escavadeira
Ljubisav, um sujeito aleatório e a escavadeira.

Se não é preciso peito para invadir a RTA, em pleno governo Milosevic, com uma escavadeira, eu não sei para que é preciso. Metaforicamente falando, óbvio, porque eu sou mui macho.
Mais do que participar desta revolução que foi carinhosamente apelidada de Bulldozer Revolution (Revolução da Escavadeira), Ljubisav ainda teve as bolas de aço necessárias para criticar o governo democraticamente eleito após a queda de Slobodan. O sujeito derruba um regime e fica malhando o outro em sua situação de... Desempregado com deformidade física! Taí um homem que vai lá e faz, diferente desses filhos da puta do Cansei.

Ljubisav
"Fuck you, I won't do what you tell me!"

Esta é a maneira mais descolada de se entrar para a História, e tenho dito. A imprensa ocidental deu tanta importância ao revolucionário que, achando seu nome muito difícil para ser divulgado, deu-lhe um carinhoso e muito provável apelido: Joe.
O que teria acontecido se uma das balas do governo (e havia muitas) o tivesse atingido? Viraria um mártir? Ou sumiria nas águas do fosso do tempo? Vale a pena pensar...
Se quiserem, aliás, ler das palavras deste rapaz de sucesso, divirtam-se aqui. Deveras interessante.

Por fim, para fechar o post de uma maneira minimamente heterossexual, uma foto em que estou pegando a sua mãe. É, a sua.

Eu e a sua mãe
Foi mal ter baixado o nível.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Quem veio primeiro?

Como todos devem saber, o Briot-Ruffini recebe centenas de e-mails todos os dias tratando dos mais diversos assuntos. Fãs ensandecidos buscando atenção, críticas às matérias publicadas, ofertas de aumento peniano e dúvidas em relação aos mundos físico e filosófico. Este último, em especial, é o que mais me interessa. O que é o blogueiro, afinal, se não um guru espiritual?

Recebi o seguinte e-mail de um internauta, que me motivou a escrever esse post:

Senhor Briot,

Afinal, quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?

(Billy - Cuiabá - MT)

Meu caro Billy, a pergunta não é tão simples quanto parece. A mesma dúvida que assola sua cabecinha agora vem tirando o sono da humanidade há milénios. A seguir, uma pequena análise do assunto.









(Obra de arte retratando a já milenar disputa)

Na Grécia antiga, a filosofia surgiu em função dessa questão. Pensadores renomados como Sócrates e Platão sentavam e coçavam o dia inteiro pensando em quem teria surgido primeiro. Teria sido o ovo? Teria sido a galinha? Nunca saberão.

Porém, séculos depois, pesquisas universitárias começaram a ser realizadas na busca por uma resposta definitiva. Por índicios de semelhança com os seres mais desenvolvidos, acreditava-se que o ovo teria surgido depois. Acreditava-se nisso, até que os fatos mostrassem o contrário.










(Indícios fósseis de ovos encontrados na África do Sul)


Em 1997, na África do Sul, foram encontrados fósseis de cascas de ovo. Através da análise por carbono 14, pôde-se concluir que datava do Período Carbônico, da Era Paleozóica. Os fósseis galináceos mais antigos datam apenas do período posterior.

As evidências serviram como uma paulada nas pernas dos defensores da galinha como origem de toda vida na Terra, que buscaram outras explicações para confirmar sua teoria. Eles afirmam que marcas encontradas em Marte mostram que a vida teria vindo do espaço. Vida galinácea.









(Quase uma galinha)

Em entrevista exclusiva, o professor Arthur Simons, da universidade de Harvard, afirma que "só iremos obter uma resposta definitiva quando inventarmos a máquina do tempo. Até lá, vamos esperar comendo frango assado e ovo mexido".

Não que sua opinião importe, já que Arthur Simons é um mero professor de Inglês.













("Meus óculos são fashion em qualquer época, meu caro!")


terça-feira, 9 de outubro de 2007

O Botafogo é a Polônia do futebol.

Conhecer hinos de países diversos diz-nos muito a respeito da humanidade. Estados pobres e fracassados, como o nosso, apelam para suas belezas naturais no momento de ufanismo:

Querida terra da Guiana, de rios e planícies;
rica pelo raiar do sol e voluptuosa por suas chuvas,
preciosa e justa, entre montanhas e mares,
suas crianças saúdam-na, amada terra da liberdade.


Outros, que nem belezas possuem, exaltam a glória pátria:

Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Vencemos o colonialismo, gritamos:
abaixo o imperialismo.
Terra livre, povo livre,
não, não, não à exploitação!


E todos, eu repito, todos os hinos exaltam a democracia latente de suas nações:

Alto nós te exaltamos, abrigo da liberdade,
grande é o amor que temos por ti;
firmemente unidos, nós resistiremos para sempre,
cantando em tua homenagem, ó pátria-mãe!


Este fragmento acima é, como imagino ser facilmente notável, pertencente ao hino nacional de Serra Leoa.

Outro dia, lendo uma coluna n’O Globo de não-me-lembro-quem, reparei que o botafoguense é assumidamente sofredor. Enquanto vascaínos, fluminenses, sofrem “sem querer”, o torcedor alvinegro assume seu estado de constante frustração publicamente. Mas não tira a camisa.
Claro. Os grandes times do Rio de Janeiro têm torcidas heterogêneas: os flamenguistas são o povão e os esquerdistas meia-boca que querem se identificar com ele. Os vascaínos são a classe-média e camadas inferiores que não admitem sua condição de desfavorecidos. Fluminenses e botafoguenses são aquelas pessoas que você nem espera que gostem de futebol; mas aqueles podem ser “normais”. Botafoguenses são estranhões restritos.

Pois bem; por isso o Botafogo é a Polônia do futebol. A Polônia, um país tão fodido e varado por inúmeros conflitos ao longo de sua história, anexado juntamente à Lituânia pelos germânicos, atacado por Napoleão, invadida por Hitler, pelos soviéticos, etc – tem o hino (A Mazurca Dabrowski) mais derrotista do planeta. Tanto que seus primeiros dois versos são “A Polônia ainda não pereceu/Enquanto vivermos”. Sacaram a sutileza? A Polônia já está perecendo, então. Há uma polifonia no texto. Alguém, anteriormente, afirmou que o Estado já se havia acabado. Daí a necessidade de justificar-se. Não fosse o bastante, o termo “ainda” já deixa claro que o país vai perecer, um dia...

Então: o Botafogo ainda não pereceu enquanto estivermos vivos. Sabemos que ele está perecendo, sim!; sabemos que perecerá, e sabemos que muitos crêem que a chama já se apagou. Mas, como brilhantemente postulou o policial André em “Tropa de Sofredores”: há quem creia que o time ainda pode entrar na Libertadores, e poxa, tem que acreditar mesmo.

Fúria popular
Só não especificaram se a gás ou a lenha.

Marche, marche, Dabrowski...

sábado, 6 de outubro de 2007

Eu sou um hipócrita de merda

Olá. Eu sou um hipócrita de merda. Você deve estar se perguntando: "por que você é um hipócrita de merda?", e eu te digo o porquê. Eu sou um hipócrita de merda. Se estiver disposto a conferir, verá que, ao clicar em meu nick na coluna da direita dessa página, uma página com meu perfil abrirá. No perfil me identifico como um "Aspirante a publicitário". O que há demais nisso? Simples...

Não há uma (nem mesmo uma) redação onde eu não critique a propaganda. Nenhuma redação escapa de minhas críticas à propaganda e à sociedade de consumo. Não minto quando as faço, busco escrever com meu coração. Estranho é, mesmo assim, querer me formar em publicidade.

"Ah, senhor Briot, mas o senhor quer usar o poder da publicidade para o bem, não quer?" Porra nenhuma. Eu quero usá-lo pra acabar com você e toda sua família. Não existe o lado do bem na propaganda. Não existe o bem na manipulação, meu caro.

Fim de Papo!

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

A manteiga: sua vida, sua obra.

Estava com meu companheiro Chateaubriand fazendo compras para o yom kippur na Rua da Assembléia quando fui abordado por um fã. Ele vinha a mim, buscando um pouco de meu conhecimento, por não saber da onde vinha a manteiga.
Chateaubriand, arrogante, respondeu: “Ora, vem do leite! Mas não é óbvio?”.
Assim como meu amigo, muitos homens tentam explicar os fenômenos mais complexos do universo com obviedades e lugares-comuns.

Manteiga
A manteiga, num momento de descontração.


Desenvolvi um raciocínio simples para, por meio dele, expor a profundidade do assunto: de onde vem a manteiga? Do leite. E de onde vem o leite? Da vaca. E de onde vem a vaca? Da criação de gado. E de onde vem a criação de gado? Do capital do fazendeiro, mais a ajuda de subsídios governamentais. De onde vem tanto dinheiro? Dos homens. E o que comem os homens no café da manhã? Pão com manteiga. E de onde vem a manteiga?

Logo vemos que caímos num perigoso círculo vicioso. Seria, no mínimo, ingênuo supor que a manteiga, material tão simples, tenha sido precedida por homens e vacas, organismos altamente complexos.
Fica claro, então, que ou a manteiga ou o leite são ancestrais a todas as outras cousas que compõe o nosso mundo.


Big Bang
O leite, na ocasião do surgimento do universo.


Lanço aqui uma teoria: no começo era o leite, material inorgânico. Aos poucos, pequenas bactérias começaram a surgir sobre sua superfície coloidal. Microorganismos muito simples faziam respiração anaeróbia, liberando ácido láctico (e agora fica óbvio o porquê deste nome) e fermentando o líquido, que se transformava em manteiga. A manteiga é, portanto, o primeiro organismo multicelular a sobreviver com livre-arbítrio e inteligência própria. Todos descendemos dela.

Claro que essa manteiga original difere muito da que comemos hoje com nossas torradas. Aquelas possuíam células-flama e cnidócitos para sua excreção e defesa, respectivamente. Hoje, tratam-se de organismos aparentemente simples que se deixam deglutir, por vontade própria, pois sabem que terminarão, após um lento ciclo econômico-alimentar, de volta na teta da vaca.

Manteiga ancestral
Ancestral comum do homem e da manteiga moderna.

Disso, podemos tirar que nenhuma dúvida é uma dúvida burra. Mesmo hoje, com os avanços científicos, muito é desconhecido pelos intelectuais e biólogos de nosso planeta. É preciso uma boa dose de método e de ponderação para se resolver as questões do universo. Fé na Ciência e pé na tábua!


Guido Mantega
Guido Mantega, exemplo da evolução das espécies.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

90 anos de Revolução

Não. Não é da Revolução Russa que venho falar. Decepcionado com a correção da banca de História do pH, resolvi fazer um artigo sobre a revolução operária de 1917, conhecida como Revolução dos Labradores.


O modelo fordista de produção é caracterizado pela elevada mais-valia, o que explica o trabalho infantil e feminino nas fábricas no período em estudo. Essa mão-de-obra se sujeitava a uma jornada de trabalho com pior remuneração que a masculina, assim como a castigos corporais, no caso das crianças. Buscando um gasto menor com os trabalhadores, as fábricas passaram a empregar uma mão-de-obra um tanto peculiar: a canina.

O salário pago a um cão era muito inferior ao de uma criança, além de estarem sujeitos a castigos mais severos e necessitarem de menos horas diárias de sono. A alimentação de um cachorro pode ser composta apenas por Eukanuba e água não-filtrada, reduzindo ainda mais as despesas da indústria.


Gráficos demonstraram que os cães da raça Labradorus apresentavam uma eficiência superior em relação aos outros animais ou humanos. Ao final de 1916, mais da metade das indústrias do sudeste apresentavam 90% de seus empregados Labradorus. Em janeiro de 1917, uma revolução eclodiu no coração de São Paulo, liderada pelo labrador Max Magno, se alastrando ao longo da área ao redor. Os labradores pararam a produção e urinaram em todas as máquinas, representando sua desapropriação. A queda da produção desestabilizou a economia nacional e o governo, levando boa parte da elite industrial a uma falência eminente, de modo que a Revolução fosse a mais bem sucedida manifestação de esquerda da história do país.


Apoiada pela baixa camada urbana desempregada, a revolução se sustentou por um mês, sendo enfim contida pelo Estado, que cedeu os empregos dos animais aos humanos novamente, criando a Carrocinha Nacional como forma de se defender de futuras manifestações caninas. Muitos líderes da revolução escaparam para a Rússia, inspirando a Revolução Russa. Curiosamente, a Revolução dos Labradores nunca foi chamada de Revolução Brasileira, o que demonstra a superioridade criativa dos brasileiros em comparação com o povo russo.

No ano de 1998, o compositor Anslem Douglas escreveu a música "Who let the dogs out?", que fala sobre a Revolução Labradorense. A canção foi divulgada em 2000 pelo grupo Baha Men.


Toma essa, Bueno!